Os dias seguintes passaram numa velocidade estranha, como se a casa tivesse decidido fingir que nada tinha acontecido naquela madrugada. Eu fiz o mesmo. Marcelo saiu antes de qualquer um acordar todas as manhãs. Quando eu descia com os meninos para o café, a cadeira dele já estava vazia, o jornal dobrado ao lado do prato intocado. À noite, quando eu finalmente me recolhia para o quarto, ouvia o som distante do portão se abrindo, o carro entrando, passos contidos pelo corredor. Ele chegava qua