Marcelo estava de pé, apoiado na pia, com um copo na mão. A camisa aberta no colarinho, as mangas dobradas até os antebraços. Parecia perdido em pensamentos.
Ele levantou os olhos, e o ar mudou.
Por um segundo ficamos só nos encarando, como se qualquer palavra pudesse quebrar alguma coisa delicada,
— Não conseguiu dormir? — ele perguntou, a voz baixa, rouca.
— Não — respondi, caminhando até a geladeira. — Fiquei com sede.
Peguei o jarro de água e enchi um copo, sentindo o peso do o