Eu realmente acreditei que teria algumas horas de paz.
Depois da ligação do advogado — depois das risadas de Alice, dos abraços de Pietra, do olhar suave de Romeo — eu pensei, por um momento ridiculamente breve, que o pior tinha ficado para trás.
Que a prisão dele significava o fim.
Mas a paz, na minha vida, sempre foi uma moeda cara demais para durar muito.
Ainda estávamos na sala de jantar quando o celular de Romeo vibra na mesa. Ele olha a tela, franze o cenho e pega o aparelho com mais força do que deveria.
— Quem é? — pergunto de imediato, porque o rosto dele já me diz que algo está errado.
— Mayra — ele responde, sem esconder a preocupação. — Vou atender lá fora.
Ele se afasta, indo até o corredor que dá para o escritório. Fico observando as costas dele sumirem pela porta. Não sei por quê, mas um reflexo automático se instala no meu corpo. Aquele velho medo conhecido, aquela sensação de que algo está prestes a desmoronar.
Pietra, que está sentada ao meu lado, toca meu braço.
— E