Eu não dormi direito. Mesmo depois de Romeu me abraçar até eu parar de tremer, mesmo depois de ele me repetir que eu estava segura, meu corpo parecia preso em alerta permanente. Acordei com a luz suave entrando pela janela da suíte e, por um instante, precisei lembrar a mim mesma onde estava.
A mansão Bianchi sempre teve cheiro de casa — de comida fresca, madeira antiga e lavanda — mas naquela manhã parecia ainda mais acolhedora. Talvez porque eu sabia que não estava sozinha.
Desci para a sala ainda com aquela sensação estranha no peito, metade medo, metade esperança. E quando encontrei Lorenzo, Romeo e um homem de terno impecável me esperando na sala de reunião, entendi que a manhã seria difícil.
Romeo veio até mim imediatamente, tocando meu braço com cuidado.
— Dormiu um pouco? — ele pergunta, olhando para mim como se pudesse medir meu estado apenas com os olhos.
— O suficiente — respondo. Não totalmente verdade, mas também não quero preocupar mais.
Lorenzo indica a cadeira ao lado