O silêncio só se instala na mansão depois que os policiais vão embora, mas ele não traz paz. Traz um peso. Traz a sensação de que qualquer movimento pode fazer tudo desmoronar de novo. Stella está sentada no sofá da sala de estar, abraçada a uma manta fina, os olhos perdidos em algum ponto que não consigo enxergar. Desde o depoimento ela não disse praticamente nada, e isso me consome mais do que qualquer grito.
Eu fico ali, de pé por alguns segundos, observando-a com a sensação de que, se eu a tocar da maneira errada, ela pode quebrar. Nunca imaginei ver Stella assim — tão pequena, tão frágil. Tão distante do furacão que sempre foi.
Me aproximo devagar e me sento ao lado dela.
— Amor… quer subir? Descansar um pouco?
Ela respira fundo, mas não olha para mim.
— Eu não consigo dormir — diz, num tom vazio. — Minha cabeça não para.
Queria arrancar a dor dela com as próprias mãos. Queria tomar cada medo, cada lembrança, cada sombra e destruir até não sobrar nada.
— Eu já pedi aos seguranças