Mayra aparece na minha sala antes mesmo das oito da manhã. Ela não bate, não pede licença, não espera minha reação. Apenas entra, joga a bolsa no sofá e abre o notebook com a expressão de quem está prestes a me entregar uma bomba — mais uma.
Eu sei que é ruim antes mesmo de ela falar. O silêncio dela diz mais do que qualquer discurso.
— O que houve agora? — pergunto, apoiando os cotovelos na mesa.
Mayra vira a tela em minha direção. Ela respira fundo, como se estivesse prestes a arrancar um curativo.
— Eles começaram uma campanha organizada contra a Stella — diz ela, sem rodeios.
A imagem na tela é uma planilha, organizada demais para ser coincidência. Perfis falsos. Todas as fotos de perfil são de bancos de imagem. Usuários criados há menos de uma semana. A mesma estrutura de legenda. Os mesmos horários de postagem. São dúzias. Talvez centenas.
— Isso veio da equipe que monitora menções negativas — Mayra continua, clicando em uma aba. — Mas olha isso.
Ela abre uma conversa vazada — a