O carro deixou a estrada de cascalho da vinícola e voltou para o asfalto principal, e pela primeira vez desde que chegamos eu senti uma pressão leve no peito. Como se aquela paz que nos envolveu todo o fim de semana estivesse sendo arrancada de mim conforme Roma se aproximava no horizonte.
Eu não queria ir embora.
A casa dos pais de Romeo tinha se tornado uma espécie de refúgio inesperado, um lugar onde eu pude respirar sem sentir medo, sem ter que olhar por cima do ombro a cada segundo. Onde pessoas que eu conheci há tão pouco tempo me trataram com carinho suficiente para remendar partes minhas que eu nem sabia que estavam tão quebradas.
E, claro, onde Romeo…
Onde ele ficou ainda mais perigoso para o meu coração.
Encosto a testa no vidro, observando o campo italiano correr ao lado, as vinhas se estendendo por quilômetros até desaparecerem atrás de pequenas colinas verdes. Deveria estar pensando em tudo o que nos espera em Roma — na mídia, no meu passado, na confusão que virou minha v