A casa estava em silêncio quando fechei a porta do quarto de Alice. Ela dormia profundamente, abraçada ao leão de pelúcia que Stella comprara para ela no caminho. O sorriso tranquilo da minha irmã sempre foi capaz de derrubar qualquer peso que o mundo colocasse nas minhas costas. Mas hoje, mais do que nunca, aquele silêncio parecia esconder um terremoto prestes a explodir.
E explodiria assim que meu pai e minha mãe vissem as manchetes.
— Vem, amor — digo baixo para Stella, que me espera encostada no batente da porta, com o suéter de lã que pegou emprestado de minha mãe. — É melhor resolvermos isso antes que vire algo maior.
Ela assente, os olhos carregando o cansaço da viagem, da tensão e de tudo o que carrega sozinha há meses. Pego sua mão e sigo com ela pelos corredores em direção ao escritório do meu pai.
A luz sob a porta denuncia que ele ainda está acordado.
Bato duas vezes.
— Entra.
Meu pai está sentado atrás da grande mesa de madeira escura, óculos na ponta do nariz e um maço d