Quando terminamos a gravação, o estúdio ficou estranhamente silencioso, como se as paredes acolchoadas absorvessem até os pensamentos mais altos. Me despedi dos caras enquanto cada um guardava seus instrumentos e desaparecia pelos corredores, e por um breve momento fiquei ali, parado no centro da sala, com a sensação de que eu ainda tinha um peso enorme no peito, algo que nenhuma música conseguia aliviar. Passei a mão pelos cabelos, tentando expulsar o cansaço que me abraçava como uma sombra constante. Era para eu estar de férias. Era para eu estar em casa.
Mas a música nunca me deixava totalmente.
Mayra esperou até que todos tivessem ido embora antes de vir até mim. Ela segurava uma prancheta contra o peito, com aquele olhar sério que eu conhecia bem.
— Romeo, precisamos conversar — ela disse, e eu já sabia que não era sobre música. Mayra jamais escolhia aquele tom se fosse algo simples.
— Manda — respondi, tentando parecer mais disposto do que realmente estava.
— As matérias sobre v