Cap 6

Enquanto eu estava terminando de limpar as coisas, aquele tigre sem vergonha, não parava de me importunar. Me mandava limpar os tapetes, tirar poeira das janelas e sempre me agarrando quando eu não estava atenta com seus passos.

— Olha só ali — apontando para uma pequena mesa que era enfeitada com um vaso de flores secas— limpa lá também empregada — sorri se sentando no sofá — e quando estiver limpando, dá uma abaixadinha para facilitar as coisas — imaginando algo em sua mente.

— Facilitar? Facilitar o que ? — impaciente apertando o pano com força.

— Oras, facilitar para que eu possa ver sua bun- — Recebe um pano bem dado na cara.

— Se quiser essa porcaria de mesa limpa, então se levante e vai limpar você mesmo ! — saio bufando de raiva indo em direção as escadas.

Enquanto eu subia as escadas, percebi que tinha uma janela enorme que dava a vista para o céu. Aquele céu que antes estava com o sol estralando de quente, agora estava se preparando para o nascer da noite.

O dia tinha se passado enquanto eu limpava aquela enorme moradia. Será que meus pais sentem minha falta ? E meus amigos? será que estão preocupados com o meu sumiço ?

Sei que era inútil procurar pelo meu celular. Afinal, eu fui vendida em um leilão e provavelmente, eles devem ter se livrado do mesmo assim que me pegaram. Só que...eu queria pelo menos, dizer que estou bem.

Subindo as escadas e chegando ao segundo andar, o corredor bem iluminado, as paredes pintadas em tons claros sem nenhuma marca de mancha ou mofo. Um cheiro de limpeza agradável preenchia todo aquele lugar.

Não faz sentido !!! como pode !? o andar de baixo estava um lixo, mas o andar de cima está todo limpo e cheio de "borboletas voando na harmonia da limpeza". Qual é a dessa maldita casa !?

Ao caminhar pelo corredor, vejo algumas pinturas e uma foto pendurada. Nessa foto em específico, percebi que era uma família, uma mulher sentada em uma poltrona, um homem em pé atrás dela e três crianças com o sorriso alegre no rosto.

  Toco na foto do quadro sentindo uma leve nostalgia. Me lembrei de quando eu era pequena e brincava com meus irmãos, quando era para tirar fotos, nunca parávamos de correr e as fotos sempre saiam borradas...

— É a minha família — comenta Anthony com a voz baixa e rouca em meu ouvido me assustando.

— AI CARALHO !!! — acerto um soco em seu rosto sem querer devido ao susto.

Ele cai no chão se debatendo como criança com a mão no nariz e os pés batendo no chão.

— rolando no chão — você quebrou meu nariz sua selvagem !!!

— A culpa foi sua por aparecer aqui do nada ! — estendo a mão para que ele se levante — anda logo e pare de drama, nem foi tão forte assim — digo desviando o olhar enquanto o mesmo segura minha mão.

—Eu não apareci do nada — vendo se está saindo sangue do nariz — eu cheguei e te vi olhando a foto da minha família, te chamei mas você não respondeu — olha para o quadro ainda com a mão no nariz — daí cheguei mais perto para ver se você me ouvia.

— Foi mal — digo olhando para a foto no quadro — é que me perdi olhando a imagem. Ela me lembra...muito a minha família.

Percebo que estou começando a ser sensível e mudo de assunto.

   Não sou 100% cruel mas, ele não precisa saber né ?

— Enfim, por que essa mansão está acabada no andar de baixo, mais aqui em cima, está toda arrumada ? — o olho confusa, e não é pra menos, nada estava fazendo sentido.

— Bem lembra que eu disse que os empregados se demitem por qualquer coisa ? então eu tinha contratado uma empregada pra limpar a mansão. Mas, ela se demitiu depois que eu disse que o trabalho dela era limpar o andar de cima, o andar de baixo, o jardim, a estufa, a garagem, o lago, e concertar os caminhos de pedras — da de ombro como se não tivesse pedido nada de mais.

— Inacreditável...então ela disse que iria limpar só o corredor ? — pergunto analisando a pintura da parede — Ela fez um ótimo trabalho.

— Na verdade senhorita Rubi, o chefe só disse as outras coisas a serem limpas, depois que ela terminou de limpar e arrumar o corredor — diz Matheus chegando junto a Eduardo.

— Ela era uma preguiçosa que não queria trabalhar — resmunga Anthony — Mas agora, eu tenho uma empregada 24 horas por dia para me servir e arrumar toda essa mansão ! — ri triunfante com sua "conquista". — Isso é incrível né gente ? — pergunta para seus seguranças todo confiante.

— Na verdade não senhor — discorda Eduardo — Se ela te denunciar, você está ferrado — ajeitando os óculos.

— E como ela vai me denunciar sem celular ? — dar de ombros — e outra, ela pode ser uma raposa mas, esse tigrão aqui é muito mais esperto que ela! — se gaba batendo no peito.

— Senhor...a senhorita Rubi...não está mais aqui — comenta Matheus me procurando.

Óbvio que eu não iria ficar lá esperando o "Rei da idiotice" terminar o seu belo discurso.

 Francamente, não me admira que a empregada se demitiu depois de ouvir toda aquela escravidão disfarçada de emprego.

Porém, estou mais interessada em procurar um quarto com banheiro pra que eu possa tomar um belo banho, do que qualquer outra coisa.

   De tudo que já me aconteceu, não é possível que eu tenha azar o suficiente, para não conseguir tomar um banho descente e merecido.

  Assim que eu entro no quarto, não observo muito ao redor e apenas vejo que tudo estava limpo e vou em direção a uma porta que levava ao banheiro.

 Agora, eu só preciso de um bom banho e merecido banho, depois desse dia desastroso.

Tranco a porta do banheiro e tiro minhas roupas, solto meus cabelos e ligo o chuveiro.

  Agora sim, não tem como a minha noite ser pior que meu dia...né...tipo...olha só como o meu dia foi ! não tem como piorar de forma alguma...né ?

🍓continua 🍓

🍒obrigada por ler 🍒

🌱até a próxima meus brotinhos 🌱

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