A tarde de quarta-feira estava fria, daquelas que pedem casacos grossos e lenços enrolados no pescoço. Eu aproveitava o dia de folga para cuidar da casa, e nada me fazia sentir mais adulta do que empurrar um carrinho de supermercado com uma lista amassada na mão. O lugar era o meu favorito, uma indicação da Lucile, que havia me convencido de que fazer compras ali era quase terapêutico. Ela tinha razão. O supermercado era silencioso, organizado, com corredores largos e prateleiras impecavelmen