Paula franziu a testa e levantou-se: — Sr. Antônio, Sra. Ana, que tal fazerem o seguinte: voltem para casa, conversem e decidam exatamente o que vocês querem. Amanhã marcamos um horário e resolvemos tudo de uma vez. Nos últimos meses, só de pensar no casamento de Asher e Beatriz, Paula já tinha perdido muitas noites de sono. Agora, ao ouvir Asher propor pessoalmente o cancelamento do noivado, ela não poderia estar mais de acordo. Se a família Preston quisesse dinheiro, ela e Pedro estavam dispostos a pagar. Não importava se fosse um pouco mais do que o esperado, contanto que livrassem Asher de Beatriz. Pedro também se levantou e, com a voz firme, acrescentou: — Asher está disposto a dar dinheiro para vocês, mas não somos otários. Tenham bom senso! Ele então olhou para Asher e disse: — Vamos. Depois de tantos anos sendo vizinhos da família Preston, Pedro ainda queria manter uma relação minimamente respeitosa. Mas Antônio, com suas exigências absurdas de dez milhões, pare
Antônio olhou para Ana e, de repente, perguntou: — Por que você odeia tanto a Clarice? Ele tinha visto claramente o momento em que Ana mordeu Clarice. Ela usou toda a força, sem hesitação. Clarice era filha dela, que ela havia carregado no ventre por nove meses. Como uma mãe podia odiar tanto sua própria filha? A expressão de Ana mudou por um momento, mas logo voltou ao normal. — Ela perdeu Beatriz de propósito. Desde pequena, ela já tinha um coração cruel. Com uma filha assim, eu deveria gostar dela? É claro que não. Antônio ficou desconcertado com a resposta dela. Sua expressão parecia culpada, mas ele tentou disfarçar. — Só fiz uma pergunta à toa. Para que exagerar tanto? Sua voz saiu mais alta do que o normal, denunciando seu nervosismo. — Antônio, a pergunta que eu te fiz antes você ainda não respondeu! Para de se fazer de desentendido! — Ana gritou, irritada. Antônio sempre soube que Ana não era uma mulher dócil, muito menos fácil de lidar. No passado, ele até
— Vai morrer! — Beatriz gritou, furiosa. Em casa, a pessoa que mais a amava era sua mãe. Antônio tinha batido em Ana daquele jeito, deixando-a naquele estado deplorável. Ele merecia pagar por isso! No entanto, antes que Beatriz pudesse fazer algo mais, a porta da sala foi abruptamente aberta. Algumas pessoas entraram rapidamente, fechando a porta atrás de si. …Na Villa Serenidade. O médico da família estava tratando o ferimento na perna de Clarice. Por causa da gravidez, ela havia recusado o uso de anestesia. Apertando os dentes, ela suportava a dor com um esforço quase sobre-humano. Sterling estava ao lado dela, observando o suor escorrer pela testa dela de tanta dor. Ele franziu a testa. Como alguém podia suportar tanto sofrimento sem aceitar alívio? Por que ela recusava a anestesia? Quando o médico terminou de tratar o ferimento, Clarice parecia completamente exausta, como se tivesse sido retirada de dentro de um tanque de água. Suas roupas estavam ensopadas de suor.
— Clarice, será que você pode parar de competir com a Teresa por tudo? — Sterling falou com o rosto carregado de frieza. Clarice ficou atônita. Ela estava ferida, apenas queria que ele ficasse ao seu lado, e isso era considerado competir com Teresa? No entanto, ela rapidamente recuperou a compostura e sorriu levemente: — Se você se importa tanto com a Teresa, por que não pede o divórcio e se casa com ela? Se eles se divorciassem, ele poderia amar quem quisesse, estar com quem quisesse, visitar Teresa sempre que quisesse, e ela não teria nada a ver com isso. Mas ele recusava o divórcio, enquanto mantinha uma relação ambígua com Teresa. Ela não interferia, mas era impossível não se sentir incomodada. — Asher e sua irmã vão se casar em breve. Mesmo que você se divorcie, ele nunca vai se casar com você. Ou será que você quer dividir o mesmo homem com sua irmã? — Sterling disparou as palavras como flechas, atingindo Clarice em cheio. Ela ficou completamente atordoada. Aos olhos de
O toque do celular quebrou o momento de tensão no ar. Clarice, incomodada, empurrou Sterling. — Me coloca no chão! Sterling não teve escolha a não ser obedecer. Ele a deixou no chão com cuidado, e Clarice, com dificuldade, pulou em um pé só até o sofá, onde se sentou e pegou um livro que estava ao lado. Enquanto isso, Sterling atendeu o celular. — Sr. Sterling, a Sra. Teresa acabou de acordar. Ela está chorando e dizendo que quer vê-lo. Disse que, se você não for, ela vai se matar! — A voz de Isaac soava ansiosa. — Que horas você pode chegar? — Estou saindo agora. — Sterling respondeu sem hesitar, desligando a ligação logo em seguida. Antes de sair, ele lançou um olhar para Clarice, que estava sentada no sofá, concentrada no livro. Ela parecia tão tranquila, tão bonita e tão serena que ele sentiu uma inexplicável sensação de paz. Por um instante, ele pensou que talvez uma vida assim, ao lado dela, não fosse tão ruim. Clarice percebeu o olhar dele e levantou a cabeça. Se
No passado, sempre que Clarice sofria alguma injustiça em casa, ela ia procurar Asher. Ele estava sempre esperando por ela na porta, e isso lhe trazia uma sensação de segurança e conforto. Depois de tantos anos, ao ver essa cena novamente, era inevitável que as lembranças viessem à tona. Assim que Clarice desceu do carro, Asher se aproximou e estendeu a mão para ajudá-la: — Sua perna está bem? — Está tudo bem. — Clarice desviou da mão dele. — Está um pouco frio aqui fora, vamos entrar para conversar. Eles já não tinham mais a mesma relação de antes, quando podiam segurar as mãos sem preocupações. Agora, era necessário manter uma distância apropriada. Asher ficou um pouco desapontado, mas recolheu a mão. Clarice caminhou na frente, mantendo uma distância respeitosa. Ao se sentarem, Clarice pediu um copo de leite e uma fatia de tiramisu. Ela não havia comido nada à noite e já estava com fome. Asher pediu um café. — Tomar café à noite? Depois vai conseguir dormir? — Cl
Uma vida era longa. Eles certamente tiveram muitas oportunidades para se reencontrar no futuro. — Eu vou terminar o bolo e já vou embora. — Clarice disse enquanto levava mais uma colherada de bolo à boca. — Ah, Asher, a partir de amanhã estarei de licença. Não sei quando volto ao trabalho. Não precisa se preocupar em me mandar seguranças. Ela estava comendo muito nos últimos tempos e sentia fome com frequência. Além disso, naquela noite não havia comido nada, então realmente estava faminta. — Tão cedo já de licença-maternidade? — Asher perguntou, surpreso. Será que Sterling já sabia da gravidez dela? Se sabia, parecia que o relacionamento entre eles não estava tão ruim assim. — Não, é só uma licença comum. — Clarice respondeu, sem querer entrar em detalhes. Afinal, era um assunto pessoal. — Certo, termine de comer seu bolo primeiro. — Asher não insistiu. Perguntar mais seria invasivo. Clarice assentiu com um "sim" e continuou comendo. Enquanto isso, Asher a observava, a
Dentro do estojo de joias havia um pequeno broche de diamante, brilhando intensamente sob a luz do ambiente. Os olhos de Sterling estavam frios como gelo, e sua expressão carregava uma raiva crescente. — Você arrastou essa perna machucada no meio da noite só para se encontrar com ele por causa desse broche? A fúria dentro dele estava aumentando rapidamente. Sterling se lembrava claramente de como ela mal conseguia andar quando ele saiu. Mas, para ver Asher, Clarice parecia não se importar com a dor na perna. Claramente, Asher tinha um lugar muito especial no coração dela. Seu rosto estava tão sombrio quanto uma tempestade prestes a começar. Clarice, ao perceber que ele já tinha visto o broche, decidiu não discutir. Com um sorriso leve, ela passou os dedos pelos cabelos e disse com calma: — No meio da noite, você também vai correndo ao encontro da Teresa quando ela liga, e vocês até passam a noite juntos. Eu só fui ver Asher por alguns minutos, e ele me deu um presente de an