Clarice
O passado não pede licença quando decide voltar. Ele não bate com educação, não se anuncia. Ele chega convencido de que ainda tem chave, de que o espaço que ocupou um dia continua sendo dele.
Eu estava sozinha na sala quando a campainha tocou.
Aurora dormia no quarto, o peito subindo e descendo num ritmo calmo que me feriu mais do que confortou. Havia algo quase cruel naquela paz infantil, alheia ao aperto que começava a se formar em mim. John tinha saído para a cidade. Lila não estava.