Laura havia falado em prazos, e aquilo ficou martelando na minha cabeça como um aviso tardio. Prazos sempre foram a minha especialidade. Eu os estabelecia, eu os cumpria, eu os fazia valer. No entanto, naquela confusão toda, eu havia permitido que o desejo falasse mais alto do que a razão, e isso era imperdoável.
Júlia havia atravessado minhas defesas sem pedir licença, não pela astúcia, mas pela combinação perigosa de vulnerabilidade e beleza. Eu baixei a guarda e agora pagava o preço.
Sentado no escritório, observei por longos minutos as linhas perfeitas da mesa, os objetos dispostos com precisão quase cirúrgica. Tudo naquele ambiente existia para me lembrar de quem eu era, um homem acostumado a controlar impérios, decisões, destinos.
Não uma marionete sendo puxada por emoções que eu deveria dominar. Respirei fundo. Aquela desordem precisava acabar. E, para isso, eu precisava reconstruir meus muros, um por um.
O primeiro passo seria Carolina.
Peguei o telefone com calma, embora po