Mundo ficciónIniciar sesiónIsabel Marques nunca precisou pedir atenção — ela simplesmente a conquistava.Dona de uma beleza arrebatadora, inteligência afiada e uma presença que impunha respeito sem esforço, Isabel cresceu em uma família humilde, cercada de amor e valores inegociáveis. Aprendeu cedo que dignidade não se herda — constrói-se. Mas também aprendeu que sonhos custam caro.Brilhante e determinada, ingressou na faculdade de Medicina movida por vocação e excelência. Destacou-se entre os melhores. No entanto, o talento não foi suficiente para vencer a falta de recursos. Forçada a abandonar o curso antes da formatura, carregou consigo uma ferida silenciosa — e uma ambição ainda maior.Recusando-se a aceitar o fracasso, reinventou-se. Conquistou bolsa, iniciou o mestrado em Administração de Empresas e provou, mais uma vez, que nasceu para ocupar espaços de poder. Estratégica. Disciplinada. Visionária.Mas o destino não negocia com planos.Às vésperas de concluir o mestrado, Isabel se vê diante do maior desafio de sua vida: sua mãe está gravemente doente, e o tratamento é urgente — e inacessível para ela. O dinheiro que ela e o pai conseguem reunir mal cobre as despesas básicas. O tempo corre. O desespero se aproxima. E Isabel sabe que talvez precise aceitar uma proposta capaz de mudar seu futuro para sempre.
Leer másCAPÍTULO 1
MAIS UMA CRISE "Isabel Marques" A loja pulsava com uma movimentação refinada naquele dia, onde o vai e vem de clientes compunha um cenário de elegância e expectativa. Na verdade, era sempre assim. Trabalhar na D’Cavan significava conviver diariamente com o excesso: luxo, pressa, vozes baixas misturadas ao tilintar de cartões infinitos. Um lugar frequentado apenas por magnatas e pessoas com dinheiro suficiente para nunca perguntar o preço. E consegui trabalhar em um estabelecimento tão requintado como esse, só me foi concedido graças ao meu currículo e a todo o esforço que coloquei na minha formação e alguns cursos preparatórios e em também a minha boa desenvoltura. Minha mãe sempre me ensinou a ser apresentável desde muito cedo. — E somando isso ao meu curriculum sólido, bem construído, fruto de escolhas difíceis e muito esforço, eu consegui esse trabalho. E estando ainda finalizando o mestrado em Administração e empreendedorismo, isso me ajudou ainda mais. O difícil era ter que conciliar estudos e trabalho.isso sim ,era uma disciplina quase obsessiva. Mas antes disso, eu havia começado Medicina. Um sonho antigo, intenso… mas caro demais para quem precisava escolher entre pagar mensalidades ou sobreviver. Não consegui ir até o fim, mas cheguei bem perto. Porem o dinheiro acabou antes da vocação. Foi então que migrei para a Administração. Não por falta de ambição, mas por estratégia. Consegui uma bolsa, agarrei a oportunidade e transformei a frustração em foco. Se não pudesse salvar vidas num hospital, aprenderia a comandar decisões que mudassem destinos de outra forma. Às vezes, me pergunto se a mudança de carreira vai me trazer alguma solução futura…?! Ou apenas uma forma elegante de adiar o caos. Em algumas vezes ,o dia era bastante cansativo, e naquele dia ,foi um deles. Não era apenas meu corpo que estava cansado, era algo mais fundo, era algo acumulado. Na noite anterior, eu tinha passado horas acordada, observando a respiração da minha mãe no escuro do quarto, contando intervalos, temendo silêncios longos demais. Mais uma crise. Era quase sempre assim. As crises vinham à noite, quando o mundo dormia e o medo ficava maior. Meu pai revezava comigo. Tentávamos dividir o cansaço para que ambos conseguissem descansar um pouco, mesmo sabendo que nenhum de nós realmente dormia. E só consegui descansar um pouco, já o dia clareando. Minha mãe precisava de uma cirurgia o mais rápido possível . Ou de um equipamento adequado para sobreviver com dignidade. Mas não tínhamos condições suficientes para isso. O dinheiro nunca alcançava o que era urgente. Então fazíamos o que podíamos. Adapta vamos. Improvisamos. Resistiamos. E eu seguia trabalhando, sorrindo para clientes que compravam o que custava mais do que meses da nossa vida, enquanto eu carregava no peito a culpa silenciosa de não conseguir poder salvar quem mais precisava de mim. Olhei pro relogio e já chegava a hora do meu almoço . Eu precisava parar. Nem que fosse por alguns minutos. Aproveitei o horário de almoço para uma refeição rápida, quase automática, e me permiti descansar. Não foi exatamente sono. — foi mais um silêncio. Um intervalo breve em que tentei desligar a mente, mesmo sabendo que ela nunca obedecia. Quando retornei ao trabalho, estava um pouco melhor. O cansaço ainda existia, mas tinha sido empurrado para um canto distante. O rosto recomposto, a postura profissional impecável. A máscara que eu aprendera a usar tão bem. Foi então que um dos clientes mais requisitados da loja entrou. Eu já tinha o atendido outras vezes. Na verdade, quase sempre ele pedia que fosse eu a atendê-lo. Nunca soube exatamente o motivo. Não era apenas eficiência — outros vendedores eram tão bons quanto eu. Ainda assim, ele preferia meu atendimento. Eu não tinha a menor noção do porquê. Mas, no fim, pouco importava. Eu estava ali para fazer o meu melhor. E, sendo honesta comigo mesma, atendê-lo era sempre vantajoso. Com ele, eu quase sempre conseguia bater — ou ultrapassar — a meta do mês. Compras grandes, decisões rápidas, nenhum apego ao valor final. Clientes assim eram raros… e perigosamente confortáveis. Respirei fundo, ajustei o sorriso e caminhei na direção dele, já me preparando profissionalmente para aquele atendimento, que com certeza eu me garantiria que não force apenas mais um. Algumas situações às vezes parecem rotina… até se tornarem o início de algo impossível que você possa controlar ou fugir. Olá Senhor Gouveia, em que posso ajudá-lo? Aproximei-me daquele homem cuja presença impunha respeito antes mesmo que ele dissesse uma única palavra. André Gouveia não era apenas alguém com aparência de poder — ele era o próprio retrato da autoridade. A postura ereta, o terno impecavelmente alinhado ao corpo, o olhar firme e calculista de quem está acostumado a decidir destinos com poucas palavras. Havia algo nele que dominava o ambiente sem esforço, como se o espaço naturalmente se ajustasse à sua presença. Cada gesto era contido. Preciso. Seguro. E com o sorriso profissional que já vinha quase automático. Falei — Posso ajudá-lo em algo específico hoje? Ele levantou os olhos devagar, olhando para mim, Havia sempre aquela calma nele, controlada demais para ser casual. — Sim, pode— respondeu. — Estava à sua espera. A frase ficou suspensa entre nós por um segundo a mais do que o normal. — Fico feliz em saber — repliquei, mantendo o tom neutro. — Temos algumas novidades desde a última vez que esteve aqui. — Imagino. — Ele percorreu a loja com o olhar, mas voltou para mim rápido demais. — Mas prefiro ver o que você recomenda. Assenti, indicando o caminho até a vitrine principal. — Depende do que procura — disse. — Algo clássico ou… diferente? Ele sorriu de lado, quase imperceptível. — Algo que resolva problemas — respondeu. — Ou que os crie. Ainda não decidi. Engoli em seco, sem saber por quê daquela resposta. — Temos peças que fazem as duas coisas — falei, abrindo a vitrine. — Tudo depende de quem as usa. Ele se aproximou um pouco mais. Não o suficiente para ser invasivo. O suficiente para ser notado. — Você fala como alguém que entende de escolhas difíceis. Hesitei por meio segundo. Depois, voltei ao jogo. — Trabalho com elas todos os dias. Ele observou minhas mãos enquanto eu apresentava a peça. Não o objeto — mais as minhas mãos em si. — Sempre tão precisa — murmurou. — Mesmo quando parece cansada. O comentário me pegou desprevenida. — Faz parte do trabalho — respondi rápido demais. — Nem tudo deveria fazer parte dele — disse, em tom baixo. — Às vezes, as pessoas carregam mais do que deviam. Fechei a vitrine com cuidado, sentindo o coração bater fora do ritmo. — O senhor gostaria de experimentar? — perguntei, retomando a formalidade como um escudo. Ele sustentou meu olhar por alguns segundos. — Claro — respondeu. — Desde que seja você a acompanhar todo o processo, mas hoje eu não vou levar só pra mim , também vou levar pro meu filho. Certo. como você quiser. Quais a preferência dele ? o que ele gosta mais? perguntei a ele. Meu filho é muito exigente, mas eu acredito que você consiga agradar ele com a sua decisão e escolha – ele falou e olhou pra mim. Assenti, mesmo sem entender por que aquele simples atendimento começava a parecer um risco, pois algumas pessoas entram numa loja para comprar. Outras entram para observar. Mas isso não me parecia o caso de André Gouveia. E algo ali me deixou em alerta.CAPÍTULO 6 : UMA TENTATIVA CLARA DE ALIVIAR O PESO ISABEL MARQUES Saí do quarto da minha mãe tentando manter o rosto firme. Passei a mão rapidamente pelos olhos antes de entrar na cozinha — meu pai não precisava ver que eu estava à beira de chorar. Ele estava encostado no fogão, mexendo distraidamente a panela, mas percebi que a comida já estava pronta havia alguns minutos. Ele só precisava ocupar as mãos. — Ela dormiu? — perguntou, sem me olhar de imediato. — Está descansando — respondi, sentando à mesa. Ele trouxe o prato e colocou na minha frente com aquele cuidado exagerado que ele sempre tinha quando o assunto era eu ou minha mãe. Ficamos alguns segundos em silêncio. Eu via no semblante dele algo que ele tentava esconder: preocupação profunda… e uma impotência silenciosa que o consumia por dentro. Meu pai sempre foi um homem forte, trabalhador, daqueles que resolvem tudo. Mas quando o assunto era a saúde da minha mãe… ele não podia consertar com esforço ou horas extras.
CAPITULO 5 : COMO VOCÊ VAI CONSEGUIR ISABEL MARQUES Quando cheguei em casa depois da faculdade, eu estava exausta. A cabeça latejava de tanto conteúdo, trabalhos acumulados, provas chegando. Tudo o que eu queria naquele momento era um banho quente e alguns minutos de silêncio para conseguir respirar direito. Assim que fechei a porta do apartamento, ouvi a voz do meu pai vindo da cozinha. — Então, filha, como foi lá na faculdade? Ele apareceu na sala enxugando as mãos em um pano de prato, com aquele olhar atento que sempre me examinava como se quisesse ter certeza de que eu estava realmente bem. Suspirei, largando a bolsa no sofá. — Um pouco cansativo, pai… eu estou muito cansada. Ele se aproximou sem dizer mais nada e me puxou para um abraço apertado. O tipo de abraço que faz o mundo desacelerar por alguns segundos. — Eu imagino. Você anda se esforçando demais. Fiquei ali, sentindo o cheiro familiar da casa, o calor dele, a segurança que só aquele abraço me dava. — Faz as
CAPÍTULO 4: LEMBRETE CONSTANTE DAQUILO QUE PERDI ARIEL GOUVEIA Reabilitação. O chão da sala de fisioterapia é frio demais. Ou talvez seja só o meu corpo que já não consegue distinguir sensações direito. — Mais uma vez — diz meu amigo Caio que também é meu fisioterapeuta, firme, sem crueldade, mas sem piedade. Minhas mãos agarram as barras paralelas com força excessiva. Os nós dos dedos ficam brancos. O suor escorre pela testa antes mesmo de eu tentar mover as pernas. Meu cérebro envia o comando — claro, urgente — e o corpo responde com silêncio. Nada. Respiro fundo. O ar entra aos solavancos. Tento outra vez. A perna direita tremeu. Não é um passo. Não chega nem perto disso. É um espasmo ridículo, humilhante. O músculo contrai como se estivesse a zombar de mim, lembrando quem manda agora. — Concentra — ele diz. — Não força. Sente. Sente. Como se houvesse algo ali para sentir. A dor vem depois. Não das pernas, mas dos ombros, dos braços, da coluna arqueada num esforço
CAPÍTULO 3 : PRIVILÉGIO QUE JÁ NÃO ME PERTENCE"Ariel Gouveia"Depois do acidente, a minha realidade era dura demais pra continuar sendo o mesmo homem de antes, pois eu nunca mais fui o mesmo– E como poderia ser?Eu não tinha como, agora eu era um homem frio amargurado e sem forca alguma nas minhas pernas.Não consigo sequer andar. Um gesto simples — levantar, dar um passo, mudar de direção — tornou-se um privilégio que já não me pertence mais. Passo os dias inteiros preso a esta maldita cadeira de rodas, condenado a observar o mundo a partir de um ângulo baixo, imóvel, enquanto tudo continua a acontecer sem mim.Eu, que sempre vivi em movimento.Antes, meu corpo acompanhava minha mente: inquieta, faminta, acelerada. Eu respirava a empresa, os negócios da família, as decisões tomadas no limite do risco. Gostava de explorar, de conhecer lugares novos, pessoas novas, ideias novas — tudo em busca de inovação, de crescimento, de deixar a minha marca. O mundo sempre foi grande demais p





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