CAPÍTULO 3 : PRIVILÉGIO QUE JÁ NÃO ME PERTENCE"Ariel Gouveia"Depois do acidente, a minha realidade era dura demais pra continuar sendo o mesmo homem de antes, pois eu nunca mais fui o mesmo– E como poderia ser?Eu não tinha como, agora eu era um homem frio amargurado e sem forca alguma nas minhas pernas.Não consigo sequer andar. Um gesto simples — levantar, dar um passo, mudar de direção — tornou-se um privilégio que já não me pertence mais. Passo os dias inteiros preso a esta maldita cadeira de rodas, condenado a observar o mundo a partir de um ângulo baixo, imóvel, enquanto tudo continua a acontecer sem mim.Eu, que sempre vivi em movimento.Antes, meu corpo acompanhava minha mente: inquieta, faminta, acelerada. Eu respirava a empresa, os negócios da família, as decisões tomadas no limite do risco. Gostava de explorar, de conhecer lugares novos, pessoas novas, ideias novas — tudo em busca de inovação, de crescimento, de deixar a minha marca. O mundo sempre foi grande demais p
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