AMANDA NARRANDO:
— Estou trabalhando! — eu disse, terminando de preparar o café dela, que ela não aceitou.
— Você vai se demitir hoje. Essa loja é da filha da minha amiga. Não quero você no mesmo círculo social que eu. Não quero ter que olhar para sua cara, bastarda! — Lídia disse entre os dentes, olhando em meus olhos.
— Eu preciso trabalhar, Lídia. Não tenho vida fácil como você e a sua filha — respondi, sem me deixar intimidar.
— Isso é problema da sua mãe, aquela vadia. Se você não se demitir, eu vou fazer demitirem você. Então, escolhe... — Lídia disse, se afastando.
— Lídia... — chamei, a fazendo olhar para trás.
— Diga...
— Vai se ferrar, sua escrota. Não tenho culpa de minha mãe ser uma vadia — eu disse, dando as costas para ela.
— Bastarda! — ouvi Lídia resmungar.
Fui até o banheiro, respirei fundo, me recompus e voltei para a copa. Quando estava servindo outros clientes, vi minha madrasta e minha meia-irmã indo embora, cada uma segurando uma sacola com sorrisos no rosto. Líd