JON NARRANDO:
Trabalhar em uma cafeteria não era o que eu planejava para minha vida, mas, como todos os trabalhos que tive, eu me dedicava ao máximo. Foi nessa cafeteria que conheci a dona Vittoria Menecucci, uma mulher elegante e poderosa. Todas as manhãs, ela aparecia no mesmo horário, sozinha, para tomar seu café enquanto mexia em seu iPad ou notebook. Suas roupas de grife, sapatos caríssimos, joias e bolsas exclusivas me fascinavam.
Desde cedo, aprendi que esconder minha sexualidade era uma questão de sobrevivência. Muitos olhares de desaprovação e oportunidades de emprego perdidas me ensinaram a ser discreto. Morava com minha avó, que, embora me criasse, era bastante grosseira desde que descobriu minha orientação sexual. Então, cada dia era uma luta.
Após dois meses servindo dona Vittoria todos os dias, ela começou a me cumprimentar e esperar que eu a atendesse, o que causava ciúmes entre minhas colegas. Elas insinuavam que ela estava interessada em mim, mas eu sabia que não era