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Fim de Semana Proibido - Capítulo 2

Alis virou-se lentamente, encontrando-se com aquele peitoral largo. Ele estava ainda mais próximo do que ela imaginava. Teve de erguer o queixo para encarar seu rosto. De perto, ele era ainda mais impressionante. Os olhos não eram totalmente castanhos; tinham pequenas lascas de âmbar perto das pupilas, que capturavam a luz ambiente e as refletiam com uma intensidade quase dourada. O cheiro dele era limpo de sabão e água, com um fundo amadeirado que rivalizava com o seu.

Ela não permitiu que o susto a dominasse. Inclinou a cabeça, um sorriso pequeno e controlado em seus lábios.

— Obrigada. Acho que o cetim também ajuda.

Samuel sorriu, um movimento lento que fez com que pequenas linhas aparecessem ao redor de seus olhos. Era um sorriso carregado, que não chegava totalmente a ser de alegria, mas de avaliação.

— O cetim ajuda, sem dúvida. Mas é a maneira como você o veste que faz a diferença. Como se não precisasse dele, mas tivesse concedido ao tecido o privilégio de tocá-la.

A observação era absurdamente ousada. Alis sentiu outra onda de calor. Ele não a elogiava; a decifrava.

— E você é especialista em tecidos? — ela retrucou, tomando um gole de champanhe para umedecer a boca subitamente seca.

— Sou arquiteto. Entendo de texturas, volumes… e como eles interagem com a forma. — Seus olhos desceram, percorrendo-a do decote até a bainha do vestido, num movimento deliberadamente lento. — E você, Alis? O que faz quando não está desfilando em verdes espetaculares em casamentos à beira-mar?

— Como você sabe meu nome?

— Minha irmã não para de falar da amiga arquiteta genial que viria de São Paulo especialmente para o casamento. Pelo tom dela, você é a pessoa mais interessante que já pisou na faculdade. — Ele pegou o copo de uísque de uma bandeja que passava, seus dedos longos envolvendo o cristal. — Ainda não respondeu minha pergunta.

— Sou arquiteta também. Só que, ao contrário de alguns, — ela disse, com uma ponta de provocação, — projeto mais do que arranha-céus egoístas. Gosto de espaços que as pessoas possam chamar de lar.

Ele riu, um som baixo e genuíno que pareceu surpreendê-lo tanto quanto a ela.

— Tocou no ponto. Meus arranha-céus são um tanto… impessoais. Egoístas, como disse. — Ele se aproximou um passo, o cheiro de uísque e madeira envolvendo-a. — E onde você constrói esses lares tão acolhedores?

— Principalmente em São Paulo. Escritórios, lojas… às vezes uma casa. Estou aqui até segunda-feira.

— Apenas?

— A vida real espera.

— A vida real — ele repetiu, como se o conceito lhe fosse estranho. — E essa vida real em São Paulo… tem alguém esperando por você nela?

A pergunta era um território perigosíssimo. Alis manteve o olhar firme.

— Isso é da sua conta?

— Tornou-se da minha conta no momento em que você usou esse vestido e decidiu ficar parada aqui, sob essa luz, sabendo perfeitamente que eu estava te observando.

A audácia dele era de tirar o fôlego. Ela sentiu um frio percorrer sua espinha, uma mistura de indignação e puro, inegável prazer.

— Você presume muito, Samuel.

— Presumo com base no que vejo. E no que sinto. — Seu olhar escorreu para sua boca e voltou aos seus olhos. — E você, Alis, o que sente?

Antes que ela pudesse formular uma resposta, uma que fosse inteligente, afiada, que o colocasse em seu lugar, a música mudou. A orquestra começou a tocar uma balada suave, e o noivo chamou Sabrina para a primeira dança. O momento foi quebrado.

Samuel estendeu a mão, não para um aperto, mas com a palma para cima, um convite.

— Dança comigo?

Era uma má ideia. A pior das ideias. Ela podia sentir as atenções de outros convidados voltando-se discretamente para eles, para o irmão problemático da noiva e a dama de honra misteriosa. Mas o desafio em seus olhos, a tensão que havia se acumulado nela desde o primeiro instante em que ele a fitara, era forte demais.

Sem uma palavra, ela colocou sua mão na dele. O toque foi um choque. Sua palma era quente, áspera, a pele marcada por calos que falavam de horas em canteiros de obra ou talvez em um hobby que ela não podia imaginar. Ele a conduziu para a pista de dança, seu toque firme em sua cintura, através do cetim, era como um brando. Ele a puxou para perto, não com violência, mas com uma certeza que não admitia negativa.

Seus corpos se alinharam. Ela era alta, mas ele a superava em quase uma cabeça. Ela sentiu a textura áspera de sua camisa contra o braço, o calor radiante de seu torso. Eles começaram a se mover, e Alis descobriu que ele dançava tão bem quanto olhava, com uma confiança silenciosa, uma liderança natural que a fazia seguir seus passos sem esforço.

— Então? — ele sussurrou, seu hálito quente tocando seu ouvido. — Você ainda não me disse o que sente.

Ela fechou os olhos por um segundo, permitindo-se sentir a música, a noite, a pressão de sua mão.

— Sinto que você é perigosamente direto.

— A vida é curta para rodeios. E eu… — ele puxou-a um centímetro mais para perto, e ela sentiu a firmeza de sua coxa contra a sua. — estou há muito tempo em uma paisagem muito, muito plana. Você, Alis, é a primeira montanha interessante que eu vejo em anos.

A metáfora era tão arquitetônica, tão deles, que ela quase perdeu o fôlego. Sua mão, que repousava em seu ombro, apertou involuntariamente o tecido da camisa.

— E o que você faz com as montanhas que encontra, Samuel? Escala? Conquista? Explora?

— Aprecio a vista. Estudo os contornos. — Sua mão na sua cintura deslizou um pouco para baixo, até a curva de seu quadril, num toque que era quase imperceptível, mas que sentiu como uma queimadura. — E, se tiver sorte, descubro os segredos que elas escondem.

Alis riu, um som baixo e abafado.

— Isso soou como uma linha de um filme ruim.

— Provavelmente foi. — Ele riu também, e a expressão transformou seu rosto, tornando-o mais jovem, menos carregado. — Mas você está sorrindo.

Ela estava. E então, a música os levou em um giro, e quando ele a puxou de volta, seu corpo colou-se ao dele de uma maneira nova, mais íntima. Sua coxa agora pressionava firmemente o centro de seu corpo, e ela sentiu, inconfundível, o volume duro e crescente de sua ereção contra sua barriga. Um choque de desejo, puro e primitivo, percorreu-a como um raio. Seu próprio corpo respondeu instantaneamente, um calor úmido florescendo entre suas pernas.

Seus olhos se encontraram. O ar entre eles pareceu ficar rarefeito. A provocação intelectual havia evaporado, substituída por uma atração física tão crua e potente que era quase violenta. Ele não disse nada. Apenas a olhou, e em seus olhos ela leu a mesma confirmação, o mesmo choque. Isso não era um jogo. Era uma conflagração.

A música parou. Os noivos se separaram sob aplausos. Samuel e Alis permaneceram parados por um segundo a mais, presos naquele campo de força que criaram. Então, ele soltou-a lentamente, como se desprendesse de algo magnético.

— Obrigado pela dança, Alis — ele disse, sua voz mais grave do que nunca.

— O prazer foi meu, Samuel — ela respondeu, surpresa por sua própria voz soar tão estável.

Ele a fitou por um último momento, um olhar que prometia ou talvez ameaçasse que aquilo não era o fim. Depois, com um aceno de cabeça quase imperceptível, ele se virou e se perdeu na multidão de convidados.

Alis permaneceu na pista de dança, sentindo o lugar em sua cintura onde a mão dele estivera como se ainda estivesse marcado. O som do mar agora parecia um tambor batendo em seus ouvidos, sincronizado com a batida acelerada de seu coração. Ela olhou para o mar escuro, para as estrelas, para as luzes da festa. O cenário perfeito do casamento ainda estava lá, mas algo fundamental havia mudado. O olhar de Samuel a desarrumara por dentro. E, pela primeira vez em muito tempo, Alis não tinha a menor ideia de qual seria o próximo passo. Tudo o que sabia é que aquele homem, com seus olhos que viam demais e sua voz que prometia o perigo, havia virado seu mundo de cabeça para baixo em uma única dança.

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