Mundo de ficçãoIniciar sessãoSimas deixou a ilha de Ventura e finalmente se viu livre do controle do Núcleo. O trajeto pelo oceano seria uma etapa tranquila rumo à província - isto é, caso ele e seus aliados não tivessem cometido tantos erros durante o processo. Agora a Corte tem uma nova preocupação, e a Suprema Magister iniciará uma caçada àqueles que vêm perturbando a ordem em seu império. Após descobrir o ingresso ilegal de uma garotinha provinciana no Núcleo, Scylla se esforçará para impedir que o resultado das ações dos infratores macule sua imagem de governante, enquanto engendra um esquema para se livrar em definitivo de seus adversários - mesmo que para isso precise exterminá-los como insetos invasores num ninho de abelhas. No segundo volume de Projeto Colmeia, mistérios enterrados no passado virão à tona, revelando segredos de um período anterior à chegada de Simas ao Núcleo. Restará ao rapaz tomar uma decisão delicada que mudará o curso não apenas da sua vida, mas a de todos que ele conhece: inclusive a de Benjamin.
Ler maisLena veio me visitar, trazendo uma vasilha de canja em sua bandeja de café da manhã. Alve já havia saído para visitar seus avós, o momento de leitura estava encerrado por hoje. Minha irmã falou sobre o quanto estava aliviada por me ver, embora estivesse preocupada com a minha saúde. Ajeitou o travesseiro atrás de mim, de modo que eu pudesse me sentar; mediu minha temperatura e constatou que ela estava diminuindo. Insisti que eu poderia me alimentar sozinho, mas ela fazia questão de levar a colher à minha boca.Tomei as colheradas calado. A canja estava boa, mas minha atenção estava toda na minha irmã. Ela estava viva, segura, como tantas vezes eu havia desejado que estivesse. Agora, entretanto, eu a via com outros olhos. Vinha-me à mente as imagens de uma Lena furiosa admitindo ser responsável pelo assassinato do próprio pai. Ela fingia que não percebia meu o
O aroma doce me dava bom-dia. Eu podia sentir a presença de Benjamin ao meu lado no colchão. Havíamos dormido afinal. Virei-me de barriga para cima, devagar para não despertá-lo. Então, por um momento, quase experimentei um déjà vu. Colado no teto, bem acima do meu rosto, havia uma folha de papel, um desenho feito à mão.Benjamin se mexeu ao meu lado, já estava acordado. Ao perceber que ele olhava para mim, fiz uma careta.— Aquilo é uma mosca? — perguntei, tentando decifrar o desenho no papel. Tratava-se de um círculo com tracinhos ao redor.Ele cobriu uma risada com a mão.— Uma mariposa — respondeu. — A sua mariposa. — Franzi o cenho. Benjamin fixara o desenho no teto enquanto eu dormia. — Queria que você se sentisse em casa.Lembrei-me de ter contado a ele sobre a mancha do meu quart
Agora o toque era real. Mais brusco, mais… desesperado.— Simas, por toda a venustidade! — A voz de Benjamin soava bem acima de mim.Ele levantou minha cabeça para uma posição inclinada e forçou algo frio contra minha boca. De olhos ainda fechados, senti na língua o gosto de ambrosina, o fluido azul curativo; ele me empurrava a borda de um frasco. Tentei engolir o máximo que pude.Então ele me segurou. Colocou um dos meus braços por trás do pescoço e me arrastou para dentro do elevador. Percebi por sua respiração ofegante que ele esteve correndo. Os gemidos que soltava para tentar segurar o peso do meu corpo indicavam que eu não era um fardo fácil de se carregar. Minhas pernas imóveis deslizavam pelo chão.Uma vez dentro do elevador, Benjamin despencou. Não se preocupou em me ajeitar confortavelmente; apenas apertou os
Eu nunca deveria ter acreditado no que os livros diziam sobre a morte. As ficções poderiam ter me convencido de que a vida passaria diante dos meus olhos em retrospectiva; de que os últimos momentos seriam de paz antes que eu fosse levado para uma dimensão fora da matéria. As não-ficções ensinavam o incontestável: nos primeiros segundos, eu expeliria o que restava de oxigênio no meu corpo. Minha atividade cerebral pararia. Talvez algumas funções ainda se mantivessem por alguns minutos, consumindo as últimas unidades de energia. E então meus músculos relaxariam. A essa altura, eu não estaria mais ali para ver.Da minha perspectiva, nada disso era tão fácil de imaginar. Mas a poética visão de túnel era real. Quanto tempo eu teria que esperar?Obriguei-me a manter os olhos abertos até que não aguentasse mais. Em ve
Último capítulo