Rocco Mancini
O ar no porão da mansão Mancini é frio, denso e carrega o cheiro de umidade e arrependimento. As paredes de pedra bruta, que já ouviram confissões que fariam o diabo tremer, agora são o palco final para os dois homens que ousaram morder a mão que os alimentava.
Eu desci as escadas devagar. A cada passo, a dor na minha ferida era um lembrete vívido de que eu ainda estava aqui, e eles não passavam de sombras. Eu não estava com pressa. A vingança, quando é servida a traidores de sangue, deve ser saboreada como um vinho envelhecido em barris de ódio.
Matteo e Carlos já tinham feito o trabalho de preparação. Eles estavam encostados nas sombras, como sentinelas do inferno.
No centro da sala, iluminados por uma lâmpada única e oscilante, estavam Marco e Lorenzo.
Eles estavam acorrentados a cadeiras de ferro, de frente um para o outro. A reação inicial foi o que eu esperava: o silêncio de quem acabou de perceber que o abismo não tem fundo.
— Olhem para vocês — comecei, a minha