Rocco Mancini
O cheiro de ferro, óleo queimado e suor rançoso finalmente começava a dissipar-se, ou talvez eu é que estivesse finalmente anestesiado por ele. Diante de mim, Marco deu o último suspiro. Foi um som curto, um engasgo seco que interrompeu o silêncio pesado daquela câmara de horrores. Os olhos dele, que outrora brilhavam com a arrogância de quem se julgava o novo rei da Itália, agora eram apenas duas esferas vítreas, fixas no vazio, refletindo a lâmpada amarela que balançava no teto.
Lorenzo, na cela ao lado, já tinha partido há duas horas. O silêncio dele fora mais barulhento, uma rendição lenta e patética. Mas Marco... Marco resistira. Fora preciso uma semana. Sete dias de uma rotina metódica e sombria que eu e os meus homens executámos com a precisão de cirurgiões. Cada turno de dor era um parágrafo da dívida que eles tinham contraído nas docas. Eu não sentia prazer, sentia apenas o peso do dever cumprido. O mal que crescia como um cancro dentro da família Mancini tinha