Antônio Vitorino
O sol de Milão entrou pelas frestas da persiana como um intruso, riscando o lençol de seda escura e iluminando a pele de Vincenza. Eu estava acordado há pelo menos uma hora, apenas observando. Se alguém me dissesse, anos atrás, que o soldado treinado para não sentir nada passaria o início de uma manhã hipnotizado pelo ritmo da respiração de uma mulher, eu provavelmente teria rido antes de meter uma bala na perna do sujeito.
Mas ali estava eu. Antônio Vitorino. O homem que foi