Rocco Mancini
Enquanto o andar de cima da mansão fervilhava com o perfume de flores e o som de risadas femininas, o meu escritório no térreo, guardava uma atmosfera diferente: o cheiro de couro, uísque de malte e o aroma denso de charutos cubanos.
Me encontrava em frente ao grande espelho de moldura dourada, ajustando os punhos de sua camisa sob medida. Meus homens de confiança — os pilares que sustentavam o império Mancini — estavam espalhados pela sala. Matteo terminava de abotoar o paletó, enquanto Carlos o e outros capitães serviam-se de doses generosas de bebida.
— Você está com uma cara péssima, Rocco — brincou Antônio, embora houvesse um respeito profundo em seus olhos. — Parece um homem prestes a ser executado, e não o homem que finalmente vai oficializar a união com a mulher que escolheu e lutou com unhas e dentes.
Dei um sorriso de lado, um movimento quase imperceptível para o nervosíssimo que sentia nesse momento.
— Encarar uma execução seria mais fácil, Antônio. No altar,