Rocco Mancini
O asfalto das docas de Civitavecchia estava úmido, exalando aquele cheiro acre de água salgada e óleo diesel que sempre pareceu o perfume oficial da traição. O vento soprava frio, mas o calor dentro do SUV blindado vinha do silêncio carregado entre mim e Matteo. Eu observava o brilho das luzes distantes do porto, mas minha mente estava em uma reunião secreta ocorrida há menos de vinte e quatro horas, em um porão cujas paredes não tinham ouvidos.
Para o mundo, eu estava indo para uma emboscada. Para mim, eu estava indo para um abatedouro onde eu era o açougueiro, não a rês.
Tudo começou com Antônio. O velho Lobo da Calábria, um dos poucos que ainda entendia que o respeito é conquistado com lealdade, e não apenas com medo. Ele e seus filhos me procuraram.
Antônio que foi o primeiro a me jurar lealdade, e está cumprindo com seu juramento. Agora estava diante de mim para me mostrar que estava certo, nem todos iriam aceitar minhas escolhas com bons olhos.
Eles sabiam que Lo