Capítulo 10
Isabella Falconi
O frio da madrugada me atingiu assim que me afastei do jardim.
O corpo ainda tremia, mas não era pelo vento que soprava entre as roseiras — era pelo toque dele. Pelo calor que ainda pulsava em cada parte de mim.
Tentei inspirar fundo, puxando o ar gelado como se isso pudesse apagar o gosto que Enzo Coppola deixou nos meus lábios. Inútil. O sabor dele ainda estava ali — amargo como uísque, quente como fogo.
A cada passo em direção à mansão, sentia as pernas vacilarem. O vestido colava à pele, o coração parecia bater fora do compasso, e a lembrança da voz dele — rouca, imperiosa — ecoava em minha mente como um feitiço impossível de quebrar.
Porra, como eu quero provar seu gosto…
Fechei os olhos por um instante, tentando apagar o som das palavras.
Não devia ter deixado aquilo acontecer. Não devia tê-lo provocado.
Mas como resistir quando aquele homem me olha como se pudesse me despir com os olhos?
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