O fim da tarde tingia o céu de um laranja suave, dissolvendo-se nas bordas dos prédios como tinta aquarela. Ana caminhava pelas ruas silenciosas de Shibuya, com as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo e o rosto meio escondido por um cachecol cinza. Os primeiros flocos de neve começavam a cair — pequenos, leves, como se o inverno ainda estivesse testando a cidade.
Ela havia passado o dia resolvendo coisas simples: comprou chá novo, passou na livraria onde o dono já a conhecia pelo nome e ficou