Cinco meses.
É estranho pensar que se passaram só cinco meses desde que fui embora da casa dos meus pais com o coração em frangalhos e uma mala cheia de perguntas. Parece mais tempo. Ou talvez seja apenas porque, agora, o tempo tem um outro ritmo.
Decidi ficar aqui — na mesma cidade onde tudo aconteceu. A cidade do asilo. A cidade dele.
Mas nunca mais pisei lá.
Não sei se por orgulho, por medo ou apenas por autopreservação. Talvez seja um pouco dos três. Às vezes, passo de carro pela rua latera