Marina
O cheiro do café fresco ainda pairava no ar, mas não tinha gosto. Tudo naquele apartamento parecia limpo demais, ensaiado demais. Eu estava sentada à beira do sofá, o diário no colo, os olhos fixos em Sofia, que andava de um lado para o outro como se as palavras estivessem espalhadas pelo chão e ela pudesse tropeçar nelas.
Ela parou de andar.
— Eu não queria que fosse assim — disse, enfim. — Juro por Deus, Marina, eu nunca quis te machucar.
— Mas machucou — respondi, sem elevar a voz, o