O som da água correndo era o primeiro sussurro do mundo quando Clarice abriu os olhos. A luz não era deste plano. O céu tinha tons dourados e lilases impossíveis. As árvores à margem do rio dançavam com folhas prateadas, como se o tempo ali respirasse devagar.
Sentada na relva úmida, com os pés descalços tocando o espelho cristalino do rio, estava Ela.
A Deusa da Lua.
Seu vestido era feito da própria noite e seus olhos, poços antigos de saudade e sabedoria. Clarice hesitou antes de falar.
— Eu.