A madrugada avançava lenta, como se a mansão tivesse decidido esticar o tempo apenas para observá-la. Ela não conseguiu dormir. Permaneceu sentada na cama, o abajur apagado, os olhos fixos na janela escura, tentando distinguir se o que sentia era medo… ou algo mais perigoso: antecipação.
A frase dele ecoava insistente.
Quando alguém começa a desaprender o medo… outra pessoa precisa carregá-lo no lugar.
Ela levou a mão ao peito, respirando fundo. Não era ingenuidade achar que aquele aviso tinha um alvo claro. Ele nunca falava por acaso. Cada palavra dele tinha função, peso e consequência.
Levantou-se devagar e caminhou até o corredor. O tapete abafava seus passos, mas ainda assim ela se movia com cautela, como se a casa pudesse ouvir intenções. Parou diante da porta do quarto da criança. Encostou a mão na madeira, sentindo o calor suave que vinha de dentro.
Tudo estava em silêncio.
Seguiu então até a cozinha. Precisava de água. Precisava de algo concreto para fazer, qualquer coisa que