Depois que a porta se fechou, a mansão não voltou ao normal.
O silêncio permaneceu — não o silêncio comum, mas aquele que fica depois de algo importante acontecer. Um silêncio que cobra atenção. Um silêncio que exige escolhas.
Ela permaneceu imóvel por alguns segundos, sentindo o próprio corpo reagir atrasado demais. O coração ainda acelerado. A garganta seca. A sensação incômoda de que tinha atravessado uma linha invisível sem saber exatamente onde ela estava.
A criança sentou-se novamente no tapete, agora com um livro nas mãos. Não lia. Apenas passava os dedos pelas páginas, como se o gesto fosse suficiente para parecer ocupada.
— Você está bem? — ela perguntou, quebrando o silêncio.
A criança deu de ombros.
— Ele não gritou — respondeu, como se aquilo fosse o critério para estar tudo bem.
A frase a atingiu como um soco contido.
Ela se sentou no chão, ao lado da criança, respirando fundo antes de falar.
— Isso não deveria ser normal — disse, mais para si mesma do que para ela.
A cr