A escada parecia mais longa naquela manhã, como se cada degrau guardasse ecos de passos antigos, passos que não pertenciam a nenhum dos três. Elias tremia nos braços de Adrian, agarrado ao pescoço do pai como se estivesse prestes a cair no abismo. Seus olhos estavam arregalados, atentos, mirando sempre o mesmo ponto — o corredor do segundo andar, onde ficava a porta branca.
A porta da mãe.
Luna caminhava ao lado deles, sentindo o corpo inteiro em alerta. Cada fibra dela gritava que algo estava prestes a acontecer. A mansão tinha aquela sensação de ar denso, quase elétrico, como antes de uma tempestade. Até as sombras pareciam mais profundas, como se algo se movesse nelas quando ninguém estava olhando.
Adrian subiu os últimos degraus com Elias no colo e parou diante da porta.
O silêncio era tão absoluto que Luna conseguia ouvir a própria respiração.
O menino apertou ainda mais o carrinho contra o peito — e então apontou.
Devagar.
Preciso.
Como se obedecesse a uma força invisível.
A