A porta escondida atrás do espelho era estreita, feita de madeira antiga, com dobradiças enferrujadas e sem maçaneta. Era uma porta para ser escondida — não usada. Uma porta que deveria permanecer fechada para sempre.
Adrian tocou a superfície com a ponta dos dedos e sentiu a madeira vibrar levemente.
Como se houvesse uma corrente de ar vindo de dentro.
Como se o outro lado estivesse respirando.
— Isso estava aqui durante todo esse tempo — ele murmurou.
Luna se aproximou devagar.
— Você sabia disso?
— Claro que não — respondeu Adrian, com a voz dura, ferida. — Eu nunca mexi nesse espelho. Nunca tive coragem de entrar aqui.
Luna tocou a madeira também. Era fria. Muito fria. A casa inteira parecia ter temperatura normal — mas aquela porta carregava um frio específico, distinto, como se tivesse sido guardado ali dentro.
— Elias — Luna disse, voltando-se para o menino — você quer que abramos?
O garoto apertou o carrinho contra o peito e balançou a cabeça em negação, rápido, desesperado