Lorena Azevedo
O corredor da ala cirúrgica era um túnel de luz branca e silêncio cortante. O som metálico das portas se fechando atrás da maca da Vitória ainda ecoava nos meus ouvidos, um estalo seco que parecia ter levado consigo todo o oxigênio do meu peito. Eu estava ali, sentada naquele banco desconfortável frio, sentindo o mundo girar em uma câmera lenta agonizante.
Rafael estava ao meu lado. Eu sentia o calor que emanava do corpo dele, o cheiro de terra, couro e uma leve nota de fumaça qu