Rafael Ventura
O trajeto até a cidade foi feito sob um silêncio mortal dentro da cabine da caminhonete. Eu não liguei o rádio. O único som era o dos pneus devorando o asfalto e a minha própria respiração, pesada, carregada de um ódio que eu tentava manter sob controle. Eu não ia para a capital; fui direto para a delegacia de Belo Horizonte que atendia a nossa região, um prédio que exalava o cheiro de papel velho e burocracia mofada.
As paredes tinham aquele tom de amarelo doentio, descascadas