Rafael Ventura
Quinze dias.
Parecia que uma eternidade tinha se passado desde que estacionei o carro naquela clínica pela primeira vez, com o coração saindo pela boca e o medo de perder a minha filha me cegando. Mas hoje, o cheiro de hospital tinha ficado para trás. O som dos bips foi substituído pelo silêncio sagrado do quarto de bebê na pousada da Dona Zezé.
Eu estava parado, com as mãos nos bolsos, apenas observando. A Vitória dormia no berço, um pacotinho minúsculo envolto em uma manta cor