Rafael Ventura
O telefone tocou antes mesmo de o café chegar à mesa.
Era minha mãe. Dona Ruth nunca ligava àquela hora a menos que o mundo estivesse acabando ou a fazenda estivesse pegando fogo. Atendi no primeiro toque.
Eu estava sentado na varanda da suíte do hotel, olhando para o mar de Copacabana sem realmente ver nada. Desde que tinha saído do hospital na noite anterior, a única coisa que ocupava minha cabeça era a mesma imagem repetida como um disco arranhado.
Minha filha.
Vitória.
Tão pe