Rafael Ventura
A respiração dela ainda batia contra meu peito.
Ofegante.
Quente.
Descompassada, igual a minha.
A sala silenciosa.
O cheiro da gente colado no ar.
O sofá virado altar.
E o coração...
sem defesa.
Segurei o rosto dela com a palma da mão.
Acariciei com os polegares.
E falei, do jeito que nunca falei pra ninguém.
— Eu não vou mais embora.
Agora é a gente, Lorena.
Ela levantou os olhos, surpresa.
Ia falar alguma coisa.
Mas eu não deixei.
Beijei.
Fundo.
Devagar.
Com gosto de quem sabe