Rafael Ventura
Ela me deixou.
De pau duro.
Com o cheiro dela grudado em mim.
Com o gosto da lembrança da língua dela no meu pau martelando na cabeça.
Ela me deixou.
De novo.
E pior:
com vontade de ajoelhar, implorar, morder, dominar, e porra...
fazer ela pagar.
Com gemido.
Com tremor.
Com gozo.
Corri pra varanda.
Mas o carro dela já tava sumindo estrada abaixo.
Soltei o ar com tanta força que quase cuspi um pulmão.
O corpo tenso.
A calça apertada.
A mandíbula travada.
— Na próxima vez, Lorena.