LUIZ FERNANDO
Eu não sabia exatamente o que estava sentindo. Era uma mistura de apatia, choque e descrença.
Talvez tudo ao mesmo tempo.
Eu encarava Lêda como se estivesse olhando para um fantasma materializado diante dos meus olhos — mas ela não era etérea, não era translúcida, não era uma lembrança construída pela culpa ou pelo luto. Ela estava ali. Respirando. Piscando. Existindo.
A mulher que eu amei com devoção quase doentia e que teria atravessado qualquer tempestade. A mesma que enterrei