Ingrid
Deitada na cama dura do presídio, com o nariz entupido por causa da tala, o lábio inchado e o olho esquerdo já se abrindo após o inchaço, eu olhava pro teto sujo. O cheiro de desinfetante barato misturado com urina velha me dava náusea. Mas nada disso doía tanto quanto a humilhação que ainda queimava no peito.
Tudo tinha dado errado. Tudo.
Eu me lembrava do dia em que fui demitida como se fosse ontem. Os seguranças me escoltando até a saída, a caixa com minhas coisas nas mãos, os olhares