Lúcio Perez
Eu ainda não conseguia dormir direito. O colchão fino do quarto que eu alugava num prédio velho no Queens rangia toda vez que eu me virava, mas o barulho não era o problema. O problema era ela, Tiana, sempre ela.
Quando ela decidiu vir pra Nova York, eu senti como se alguém tivesse enfiado a mão no meu peito e apertado. Ela falava que era por causa do emprego bom, do salário que ia ajudar a cuidar dos pais dela, da chance de recomeçar. Eu ouvia tudo e sorria por fora, mas por dentro