Arthur ouviu Helena até o fim sem interromper. Sentado ao lado dela, sentiu algo raro acontecer dentro de si: não era vontade de proteger, nem impulso de resolver. Era admiração pura, daquelas que silenciam a gente por dentro, que obrigam a rever tudo o que se achava que sabia sobre força.
Ela não contou sua história como quem pede colo, contou como quem sobreviveu. Falou do silêncio da infância, das ausências que ensinaram autonomia antes da hora, da fuga necessária para não se perder. Não hou