O limite não se anuncia, ele se revela quando o corpo começa a reagir antes da mente. Helena percebeu isso ao derrubar a xícara de café logo cedo, o som da porcelana quebrando ecoou alto demais na cozinha silenciosa.
— Ei, está tudo bem? — Arthur disse, rápido, ajoelhando-se para ajudar.
— Está. — Helena respondeu — Só estou… cansada.
E era verdade. Cansada de medir palavras, de sustentar equilíbrio, de existir entre expectativas que não eram só suas. Arthur recolheu os cacos com cuidado.
— A gente precisa desacelerar. — ele disse, cuidadoso.
Helena soltou uma risada curta.
— Engraçado como isso sempre é dito quando alguém já passou do limite.
O dia seguiu tenso.
No caminho para a escola, Helena sentiu os olhares novamente. Desta vez, não sutis. Diretos. Um sussurro mal disfarçado, um celular erguido rápido demais. Ela entrou no carro com o coração acelerado.
— Por que aquela moça tirou foto? — Sofia perguntou, inocente.
— Às vezes as pessoas esquecem de respeitar. — respondeu, engoli