O medo não apareceu como pânico, veio como antecipação.
Arthur sentiu isso ao acordar naquela manhã, antes mesmo de abrir os olhos. Uma sensação estranha de que algo precioso estava prestes a escapar — não por falha, mas por excesso de cuidado mal colocado. Ele ficou alguns minutos observando o teto, ouvindo os sons da casa acordando: passos leves, uma porta fechando, o murmúrio distante de Helena na cozinha.
O medo de perder não era novo, mas agora tinha nome. Helena.
Ele a encontrou preparando o café, os cabelos presos de forma despretensiosa, vestindo uma camiseta larga. Uma cena simples demais para alguém que, ainda assim, parecia frágil diante das escolhas que se aproximavam.
— Você dormiu? — ela perguntou.
— Muito pouco. — ele respondeu — E você?
— O suficiente para pensar demais.
Eles trocaram um sorriso breve, cúmplice e cansado.
Depois que Sofia saiu para a escola, o silêncio voltou a ocupar os espaços da casa. Um silêncio atento, quase vigilante.
— Laura ligou. — Arthur diss