O som das ondas já não traz paz, traz um ritmo, um prazo implacável e cada maré alta parece dizer: o tempo está passando. A decisão de ir atrás de Almeida fica pesando entre nós, um terceiro invisível à mesa do café da manhã, nas caminhadas pela areia, nos silêncios que preenchem os espaços onde antes havia apenas o cansaço do descanso.
Melissa sente a mudança, ela não pergunta, mas seus olhos, grandes e perceptivos, seguem Dante e eu com uma curiosidade silenciosa, ela sabe que a “missão secreta” do esconde-esconde ganhou um novo capítulo, mais sério.
Duas manhãs depois da ligação de Leandro, ele aparece sem avisar. Simplesmente estaciona um carro velho e empoeirado na estrada de terra que leva à nossa casa e caminha até a varanda, onde estamos tomando café. Ele parece mais velho, os sulcos ao redor dos olhos mais profundos, mas sua postura é a mesma, sólida como um bloco de granito.
— Tadeu está resolvido — ele diz, aceitando uma xícara de café de Dante.
Entregou tudo o que sabia,