####CAPÍTULO 02

— Trouxeram o meu dinheiro? — perguntou um dos homens, sua voz rouca e esperança.

— Sim, está tudo aqui, vinte mil dólares, espero que a mercadoria valha apenas— respondeu outro, como se a quantia fosse a solução de todos os problemas, fazendo o coração de Carmen afundar mais ainda.

— Ela é pura, não se preocupe— disse Elizabeth, sem pudor, como se estivesse avaliando um objeto, mercadoria pronta para ser negociada.

— Nunca teve tempo pra homem, e eu garanto para que permanecesse assim.

Vai render bem — e essas palavras ecoaram em Carmen como um veredito cruel, despojando-a de qualquer vestígio de dignidade que ainda lhe restava.

— A ideia de ser vista apenas como um "produto" a fez sentir um vazio horrível no fundo do peito, o chão parecia desaparecer sob ela, como se estivesse num sonho desmoronando.

Um eco de choque e desesperança a envolvia, subitamente, silenciando o mundo ao seu redor, enquanto o desespero afundava em seu íntimo.

— Com movimentos apressados e desesperados, pegou seus documentos e o pouco dinheiro que tinha, enfiando tudo no bolso da calça jeans, ciente de que poderia ser tudo o que a separava de sua liberdade.

Abriu a janela e, em um gesto de desespero e determinação, pulou — descalça, vestindo apenas uma camiseta branca e a calça surrada que contava histórias de dias melhores, na esperança de que a adrenalina e a urgência a guiassem para longe daquele pesadelo.

— Ela está demorando muito — disse uma voz lá embaixo, rompendo o silêncio tenso e fazendo seu coração acelerar.

— O tempo parecia se estender numa agonia insuportável, enquanto cada fração de segundo se tornava uma eternidade repleta de incertezas.

— Vai lá buscar a mercadoria — foi a ordem que ecoou, deixando claro que a caça estava apenas começando.

— A maldita fugiu! — gritou Elizabeth, com o pânico transparecendo nas palavras, enquanto a realidade da situação se revelava, e Carmen percebeu que cada escolha agora poderia ser uma questão de vida ou morte.

— Corram! — ordenou, perdendo completamente o controle, e Carmen sentiu o peso da angústia a perseguindo, a determinação de não voltar àquele lugar, finalmente dominando seu ser.

— Carmen correu, desesperada, suas sandálias foram gastas batendo contra o chão molhado enquanto procurava abrigo na casa da vizinha.

O medo a consumia, cada batida de seu coração ecoando como um tambor de guerra, e ela implorava por ajuda, lembrando-se de como as risadas amigáveis da vizinha anteriormente eram um consolo em dias difíceis.

—Agora, no entanto, tudo que ouvia eram portas sendo chutadas e nomes sendo gritados, como se um pesadelo tivesse se materializado à sua volta.

Sabia que não podia permanecer ali; sua presença poderia colocar mais alguém em risco, um pensamento que a perseguiu como uma sombra indesejada.

— Por dois dias, fugiu, vagando pelas ruas como se fosse um fantasma — dormindo onde conseguia, muitas vezes em lugares abandonados ou debaixo de marquises, e se alimentando apenas quando absolutamente necessário, quando a fome a tornava mais vulnerável do que já estava.

Suja e descabelada, estava consumida pelo medo, como uma sombra em busca de luz, uma busca desesperada por um refúgio que parecia cada vez mais distante.

— Até que, em um beco escuro, com as luzes da cidade piscando como estrelas distantes, eles a encontraram, e ela percebeu que as esperanças de escapar estavam se esvaindo rapidamente.

Mas Carmen não desistiu, ao avistar a rua principal, sua visão se tornou embaçada pela adrenalina e pela correnteza de pensamentos desordenados.

O coração parecia prestes a explodir em seu peito, e os pulmões queimavam como se tivesse corrido uma maratona puxada por uma força invisível.

— O som do trânsito era uma sinfonia caótica, misturado ao rugido da tempestade que se aproximava.

Então, com um relance rápido, notei um sinal vermelho.

— Um carro preto e luxuoso estava parado à sua frente, imponente e diferente de tudo que conhecia.

Sem hesitar, lançou-se para a rua, seus instintos de sobrevivência empurrando-a para frente.

—Ali, entre a chuva e os faróis ofuscantes, na interseção entre destinos opostos, seu futuro mudaria para sempre, como uma folha sendo levada pelo vento em busca de um lugar seguro, um novo começo, ou talvez uma passagem para o desconhecido.

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