SAVANNAH
Acordo devagar, como se o mundo ainda estivesse envolto em algodão. Por um segundo, não sei onde estou. Depois sinto: um braço firme à minha volta, quente, protetor. Ryder.
Abro os olhos e encontro os dele imediatamente, atentos, como se estivesse acordado há horas. Há algo no jeito como me olha — cuidado, medo, amor misturado com cansaço. Quando murmuro um “bom dia” quase inaudível, ele sorri de leve, aquele sorriso torto que sempre me desarma, e acaricia meu rosto com o polegar.
— Bom dia… — responde, a voz rouca, baixa, íntima.
Ficamos assim por alguns segundos. Ou minutos. O tempo perde o sentido quando estamos em silêncio, apenas respirando um ao outro.
É nesse silêncio que noto. Ele está mais magro. O maxilar mais marcado, as maçãs do rosto fundas. Há olheiras profundas sob seus olhos, sombras que denunciam noites sem dormir. O rosto carrega algo pesado — dor, medo… e uma culpa que reconheço. Desde que Chloe voltou, Ryder parece travar uma guerra interna constante.
Levo