O ambiente no subsolo era sufocante. O cheiro de ozônio e fios queimados impregnava o ar enquanto Otávio, com as mãos trêmulas sobre o teclado do mainframe, enfrentava a escolha mais cruel de sua vida.
— Droga, Eduardo! Isso não é justiça, é carnificina! — gritou Otávio para as paredes de concreto, enquanto os ícones de Eliza e do Bebê piscavam em vermelho, exigindo uma decisão que ele não tinha o direito de tomar.
Foi nesse momento que a porta pesada da sala de servidores se abriu com um estrondo. Rebeca surgiu, com os cabelos loiros desgrenhados e um corte na bochecha, mas com o olhar feroz de quem cruzaria o inferno por quem ama.
— Otávio! — ela gritou, correndo até ele. — Eu vi o que está acontecendo nos monitores do saguão. Eu consegui passar pelos dutos de ventilação do setor de design, eu conheço as plantas deste lugar!
— Rebeca, saia daqui! — Otávio tentou afastá-la enquanto operava o sistema. — O sistema vai entrar em colapso, eu tenho que escolher um deles. Se eu não